Portugal y España podrían funcionar como un Benelux ibérico

Nuno Ribeiro da Siva, presidente da Endesa Portugal e membro da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola

Portugal e Espanha só teriam a ganhar com uma maior integração dos dois mercados.

E essa integração até poderia estender-se à investigação científica ou a projetos conjuntos em setores como o turismo e outros. Portugal e Espanha podiam mesmo funcionar como “um Benelux da Península Ibérica”, combatendo assim a condição periférica que os prejudica. Estas foram as conclusões mais marcantes que resultaram da conferência final da rubrica Economia Ibérica ao Pequeno-Almoço, que ontem decorreu no CCB, em Lisboa, e reuniu especialistas do mercado ibérico e de vários setores da economia.

A competitividade do mercado português – ou a falta dela, em muitos setores -, uma legislação e políticas públicas de investimento hesitantes ou pouco claras e a carga fiscal em Portugal foram outros dos fatores apontados para melhorar pelos participantes convidados.A ideia de um Benelux económico partiu de Nuno Ribeiro da Silva, membro da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola e presidente da Endesa Portugal, que falava acerca do mercado do gás e eletricidade. “Mas isto pode aplicar-se em diversas coisas”, garantiu durante a sua intervenção.

A conferência reuniu empresários do setor turístico, agrícola, da energia e de wellness (ginásios), além dos representantes das câmaras de comércio e indústria, tanto portuguesa como luso-espanhola, e do diretor do AICEP em Madrid.

Durante a sessão de abertura ,  Carlos Álvares, presidente do Banco Popular e entidade coorganizadora desta iniciativa juntamente com os jornais DN e JN e com a TSF, sublinhou dados que demonstram a importância mútua dos dois mercados. “Espanha é o principal destino das nossas exportações”, absorvendo um quarto do seu volume total, e é o seu principal fornecedor – um terço das importações portuguesas vêm de Espanha. Por sua vez, “Portugal é o quarto maior cliente de Espanha, com uma quota de 7,5%, e o seu 8.º fornecedor”, destacou Carlos Álvares. Tudo razões mais do que suficientes para manter uma aposta forte nas relações bilaterais com Espanha.

Mas há outra aposta que é preciso fazer: divulgar mais e melhor Portugal em Espanha. O muito que ainda há fazer neste campo foi o que salientou o presidente do conselho de administração do Global Media Group (GMG), detentor dos jornais DN e JN e da TSF. Daniel Proença e Carvalho, que em nome do GMG deu as boas-vindas aos participantes, afirmou: “Quanto ao turismo, penso que ainda há muitos espanhóis para descobrir Portugal. Ainda há um trabalho muito importante para promover o nosso país lá fora.”

A encerrar a conferência, esteve o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que fez uma exposição resumida dos resultados dos setores económicos com melhor performance em 2016.

A conferência de ontem, que foi o culminar de uma série de entrevistas que, desde março, debateram o mercado ibérico, as suas vantagens e oportunidades, encerrou a rubrica Economia Ibérica ao Pequeno-Almoço.

 

Texto: Adelaide Cabral
Fotos: Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens

Hispanista revivido.